segunda-feira, 13 de julho de 2009

histórias 2

(continuação do último post)
Cap.2
Carol quase me arrastava, Se ela tivesse força suficiente, já teria me pego no colo.
-pra quê a pressa?-perguntei, tentando controlar a irritação.
-eu não quero me atrasar para a aula, só isso.....
-“só isso”?!Carol, você odeia Literatura. Ano passado, você dormiu em quase todas as aulas. Só passou de ano porque eu te ajudei nas provas.
-ah, mas esse caso é diferente. O biel tem aula com esse professor, ele disse que ele é bem legal e é “diferente”........
Carol tinha a mania de chamar o namorado, Gabriel, de “biel”. Engoli a resposta e seguimos para a sala.
Mesmo possuindo lâmpadas no lugar de velas e tendo as paredes de pedra enfeitadas por murais e quadros, a sala possuía um aspecto fantasmagórico. Assim como a maior parte das salas do colégio.
O professor estava apoiado na mesa, folheando um exemplar da Divina Comédia. Parecia ser um homem normal, entre os quarenta e cinqüenta anos, com os cabelos curtos castanhos e extremamente pálido. Parecia cansado, mas seus olhos liam vorazmente o livro que estava em suas mãos. Nada de “diferente”.
Depois que todos se acomodaram, ele fechou o livro e parou para analisar a turma.
- bom dia. Meu nome é Edgar e serei o professor de vocês de Literatura, até o fim do 3º ano. Espero que se sintam a vontade nessa aula. Pra começar, gostaria que se apresentassem. Depois, trouxe um poema para analisarmos.
As apresentações foram rápidas, de maneira que em pouco tempo já tínhamos uma cópia de Navio Negreiro, de Castro Alves, nas mãos.
Carol, que se ofereça para ler em voz alta, já estava na metade do poema. A maior parte da turma já estava dormindo, com o rosto apoiado nas carteiras.Edgar era o único que parecia realmente interessado, Seu cenho estava levemente franzido, imerso nos próprios pensamentos. Eu apenas ouvia, sem prestar muita atenção. Carol continuava lendo animadamente, como se não percebesse o desinteresse da turma
Girei a cabeça na direção de Edgar, e ele fez o mesmo. De repente, eu não estava mais na sala de aula. Na minha frente, uma seqüência de imagens aparecia. Uma prisão, um laboratório e uma sala de cirurgias. Um grito de horror invadiu a minha mente. Me segurei na cadeira para me equilibrar. A voz de Edgar me despertou.
-agora que já terminamos de ler, vocês formaram duplas e apresentaram um poema romântico a sua escolha aqui em classe. Para isso, iremos até a biblioteca. Vou deixar vocês escolherem com quem trabalharam dessa vez.
Todos saímos e fomos andando até a biblioteca
-até que a aula não está chata. Ele é legal. Bem que o biel........caramba, bia!!!!! Você tá verde!!!!!
Ela tirou um espelhinho da bolsa e me entregou. Fitei meu rosto. Parecia que eu tinha acabado de dar dez voltas numa montanha russa. Esfreguei meu rosto com as mãos, tentando me recompor. O que raios foi aquilo que eu vi. Será que acabei me envolvendo demais com a leitura? Não, afinal, não havia laboratórios e salas de cirurgia em Navio Negreiro.
- não foi nada, eu já estou melhor.-respondi sorrindo.
Entramos na biblioteca. Fui procurar por algum livro nas estantes dos fundos, enquanto Carol ia olhando as da frente. Estava mexendo na estante quando ouvi uma voz feminina.
- certo, tudo combinado para sexta, as oito. eu já falei com o Hugo, ele disse que sim.Não, não falei com o Dante. Porque você não fala com ele, não é seu namorado?
A garota riu escandalosamente, depois de um tempo parou.
- e quanto ao Edgar? Ele com certeza vai nos encher de dever de casa, só para tentar impedir nossa reunião. tá, claro, não vou fazer nada. Tchau.
Estranhei o tom em que ela falou o nome de Edgar, mas preferi ignorar. Na hora de mexer nos livros, acabei deixando vários caírem. De repente a garota apareceu. Eu já a conhecia era de uma turma diferente da minha. E não apreciava nem um pouco a companhia.
Ela olhava para mim com raiva. Os punhos estavam fechados. Apesar de termos a mesma idade, não pude deixar de me intimidar.
- você já estava aí há muito tempo, ouviu a conversa?!
- eu....
- anda, responde!!!- ela me empurrou com força no chão. Caí para trás.
- ei, calma Pandora, eu não fiz nada!!- me irritei
- duvido muito!!! Ai de você se espalhar para alguém o que ouviu.- Pandora foi pisando firme, como se quisesse marcar seu terreno. Aquilo não melhorou muito meu humor, que se fechou depois das “visões” que tive
-como se eu fosse querer atrapalhar sua festinha – respondi com escárnio.
Pandora se virou para mim e me golpeou violentamente no rosto. Senti a raiva crescendo dentro de mim. Me levantei e o inexplicável aconteceu: o livro que estava ao meu lado se levantou e atingiu Pandora. E no exato momento em que Edgar passava por nós. Ela apenas me olhava perplexa.
- Beatriz, quero que venha comigo até minha sala- ele respondeu.
Deixamos Pandora caída e voltamos até a sala de aula. No caminho, Edgar tirou o celular do bolso e apertou algumas teclas, tornando a guardá-lo.
Ele entrou na sala e depois que eu entrei, fechou a porta. Puxou uma cadeira para mim e ficou sentado na sua mesa.
- minha cara, eu vi tudo o que você fez, e acho que precisamos ter uma conversa.
Me acomodei na cadeira, esperando ele continuar.

3 comentários:

  1. Dica: cuidado pra nao deixar o texto confuso [embora uma das suas caracteristicas seja justamente ser misterioso]. Logo de cara voce mencionou varias personagens, pra alguem que tah lendo e nao sabe nada sobre a história fica um pouco complicado de visualizar quem é quem.

    Fora isso gostei das descriçoes dos personagens, cenas, ambientes.
    tá ficando muito bom, continua escrevendo!

    beijinhos

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  2. meu objetivo era começar de forma misteriosa mesmo, mas admito que acabei deixando meio freak
    valeu pelas dicas rafita^^
    beijinhos

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  3. 'deixando meio freak' quando mais freak melhor, cara!!

    tá ótimo, eu tô adorando!! achei essa parte bem melhor explicada que a anterior [claro, não dá pra entregar tudo de cara no primeiro capítulo, né!] e eu também gostei muito das personagens, tá ficando bem legal!!

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